domingo, 31 de janeiro de 2010

Filmes sobre ex- presidentes: a nova febre no Brasil

Depois de Lula, o Filho do Brasil, dirigido por Fábio Barreto, que completa um mês de circuito segunda-feira ( 1), exibido em mais de 350 salas no país, apesar das incertezas do mercado cinematográfico e das dúvidas sobre  a aceitação do público em relação ao tema, vários filmes sobre presidentes estão programados para os próximos meses.

Convém lembrar que  o épico sobre Lula atraiu até agora pouco mais de 100 mil espectadores – menos até que um de seus inspiradores, 2 filhos de Francisco (2005), com 266 mil espectadores na primeira semana.

Getúlio Vargas, Jânio Quadros, Tancredo Neves, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso estão na mira dos cineastas.

Autor de novelas, o roteirista Lauro César Muniz pilota um dos mais ambiciosos projetos envolvendo cinema e política. De suas mãos nasce, até 2011, um longa dedicado a Getúlio Vargas. Como mote, cerca-se das três semanas que antecedem o suicídio que mitificou a figura do presidente a partir do fatídico 24 de agosto de 1954. Muniz acaba de entregar ao produtor Daniel Filho um primeiro tratamento para Dr. Getúlio (título provisório).

Premiado pelos longas Jango (1984) e Os anos JK - Uma trajetória política (1980), o cineasta Silvio Tendler investe em mais uma produção política, mas sob a embalagem do gênero documental. Há mais de 20 anos, acumula um arsenal de fitas de áudio e vídeos do ex-presidente Tancredo Neves. Tancredo, a travessia tem previsão de lançamento para abril de 2010 – mês que marca os 25 da morte da sua morte, em 1985. No registro, Tendler destrincha os bastidores da transição de poder e mostra que, de lá para cá, pouca coisa mudou.

Irmão de Fábio Barreto, Bruno Barreto mira sua câmera na direção do ex-presidente Fernando Collor, num longa baseado no livro Notícias do Planalto (1999), do jornalista Mário Sérgio Conti. Oponente de Lula durante as eleições de 1989, Collor terá sua trajetória vasculhada, desde as ligações de seu avô Lindolfo Collor com Vargas até o impeachment que o tirou do poder, em 1992.

Mais adiante, o diretor Paulo Filho busca viabilizar um longa sobre Jânio Quadros, enquanto que, para 2011, o documentário Rompendo o silêncio segue os passos de FHC.

O longa de Fábio Barreto sobre Lula continua traindo as expectativas dos produtores: contabilizou 767 mil espectadores, com renda acumulada de R$ 6,5 milhões.  Com tais rendimentos confrontados à média arrecadada por outras produções nacionais, não se pode dizer que os números sinalizem um fracasso.

Porém, projetado e embalado como um blockbuster, a decepção não deixa de ser evidente. Antes de chegar às telas, o produtor Luiz Carlos Barreto previa um público de 5 milhões de espectadores para o longa.

C/ reportagem de Luiz Felipe Reis, Jornal do Brasil

O Blog: Fracasso de bilheteria, mas sempre rende muito. Empresas, grupos políticos e outros investem nesses filmes. A produção não sofre prejuízos. Não custa lembrar que até a cinebiografia do engenheiro Eliezer Batista, ex-presidente da  Vale do Rio Doce (quando estatal), faturou os tubos em apoio- inclusive do Banestes. Basta  ser "presidente", não necessariamente da República.

Um comentário:

  1. Esse filme sobre o Collor pode preocupar casal de políticos capixabas, pos o livro do Conti narra episódio nada abonador sobre certa figura de nossa bancada em Brasília ainda em plena atuação.

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